quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O Prazer esta nas Coisas Simples



               Adições alteram nosso cérebro, assim como quaisquer hábitos que tenhamos, este mecanismo é decorrente da plasticidade cerebral, isso significa que todos os comportamentos que tivermos no decorrer de nossas vidas estarão moldando nosso cérebro.

Sexo, jogo, comida e até mesmo trabalho aumentam a liberação de dopamina (hormônio relacionado ao prazer) e obviamente as drogas também o fazem, porém de forma potencializada, fazendo com que sintamos prazer de maneira mais acentuada. O uso de drogas é um dos muitos hábitos prejudiciais que compartilhamos (e sim, isso inclui simples medicamentos), não é uma questão de moralidade e sim de que nosso organismo não é capacitado para administrar níveis excessivos de “prazer”.

Dependência significa que não se pode mais viver normalmente/naturalmente sem determinada substancia ou objeto de “desejo”, decorre de fatores tanto genéticos como ambientais e se desenvolve com o decorrer do tempo, a estrutura cerebral se altera, a tolerância e a síndrome de abstinência são exemplos dessas modificações, depressão e anedonia (falta de motivação) decorrentes da supressão ou falta desses elementos dos quais se esta dependendo também.

Cada vez mais respondemos menos à recompensas naturais, desaprendemos a pensar a longo prazo, somos imediatistas, hedonistas de primeira! Há tempos não se esta mais interessado em qualidade ou quantidade, essa não é mais a dicotomia primordial, a máxima da nova geração, denominada geração “Z” é a intensidade! Prazer pelo prazer.

Os efeitos de substancias sejam elas licitas (álcool, tabaco, medicamentos), sejam elas ilícitas (maconha, cocaína, Ecstasy) são prazerosos no momento em que as utilizamos, mas com o tempo e principalmente em excesso tornam-se nocivos. Dependemos demasiadamente de respostas fáceis e rápidas, nossos “vícios” e adições são como fanatismos – extremos nunca me parecem solucionar problemas nem mesmo amenizá-los que seja...

Como em “Walden” ou “Na natureza selvagem” - “fomos construídos para levar vidas de silencioso desespero” – projetados para querer e buscar sempre mais, e não para termos tudo aquilo que desejamos quando desejamos. Desconforto e sofrimento são necessarios!

Dependentes perseguem prazeres contraproducentes, prejudicam suas vidas em busca de prazer imediato. Quando jovens, em decorrência das características de busca constante por novidades e impulsividade, e também por sermos mais facilmente influenciáveis, somos mais vulneráveis, nossos cérebros são menos capazes de lidar com essas substancias quanto mais jovens somos, quanto mais tardio o contato com as drogas, menor a chance de desenvolver dependência.

Recomendo aqueles que ainda sentem prazer com as pequenas coisas, um dos meus filmes favoritos – O Fabuloso Destino de Amelie Poulain.

Ana Carolina Paes

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A escola organizada em ciclos


O post de hoje, mais uma vez, é sobre Educação. Desta vez, vou falar sobre a  organização do ensino em ciclos. Pra quem não está familiarizado como o assunto, os ciclos dizem respeito à forma como são organizados os anos que um aluno passa na escola. Se antes este tempo era organizado em séries (1ª, 2ª, 3ª...), agora ele passa a ser organizado de dois em dois anos, três em três anos, quatro em quatro anos (ciclos).

A base para essa nova organização dos anos escolares é a idéia de que a aprendizagem não se dá de forma linear e nem ao mesmo tempo para todos os indivíduos e que por isso deve-se respeitar o tempo de cada um. Mas afinal, quais as implicações desta mudança? A primeira e, no meu ponto de vista, a mais significativa é que os alunos não reprovam antes de fechar o ciclo. Por exemplo: se o primeiro ciclo for organizado em três anos, o aluno só poderá reprovar ao final do terceiro ano.
  
Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB): “A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não-seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar” (art. 23).

Sendo assim, as escolas não são obrigadas a adotar a prática da organização em ciclos devendo, como diz a lei, optar pelo que for mais favorável ao ensino-aprendizagem. No entanto, o Conselho Nacional de Educação (CNE) recomenda que as crianças não sejam reprovadas nos três primeiros anos do Ensino Fundamental porque cada uma tem um ritmo de aprendizagem.

Os que defendem esta forma de organização em ciclos afirmam que as altas taxas de reprovação no início da vida escolar são responsáveis por altos índices de evasão da escola. Além disso, as reprovações em alta escala causariam prejuízo financeiro ao estado, sobrecarregando o orçamento destinado à educação.

A Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização) realizada no início do ano em todas as capitais do país com crianças que completaram o 3º ano do Ensino Fundamental apontou que em relação à leitura, 43,9% não aprenderam o que era esperado para esse nível de ensino. Já no que refere à escrita esse número foi de 46,6%.

Cabe aqui discutir o aspecto da evasão, mencionado anteriormente.  Em um primeiro momento o fato de a criança não reprovar nos dois primeiros anos da escola e se manter nela em função disso, pode parecer positivo. Mas é preciso pensar o que vai acontecer quando esta criança chegar ao final do terceiro ano e, como mostram os dados, não atingir o desempenho esperado. Será que ela não vai evadir mesmo assim? Será que ao invés de ampliar o acesso à educação não se está aumentando as desigualdades visto que ela não vai conseguir acompanhar os demais colegas?

O fato é que as crianças que tiverem dificuldades desde o primeiro ano e mesmo assim forem aprovadas não terão as ferramentas básicas para o ano seguinte. Quero deixar claro aqui que a questão central não é ser contra ou a favor à organização dos anos escolares em ciclos e sim se a escola vai dispor de ferramentas para auxiliar esse aluno que vai estar “atrás” dos demais colegas.  

Por Tamara Souza

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Depressão é frescura?


Outro dia estava conversando com uma pessoa e ela me disse que acha que depressão é frescura. Pensando sobre o tema para escrever para o blog e depois de muito refletir sobre isso, achei que seria interessante falar sobre  este assunto, que muitas vezes é tratado como tabu na nossa sociedade. Confesso que como estudante de Psicologia  fico triste em saber que ainda tem pessoas que pensam assim.

Apesar de as estatísticas variarem dependendo do estudo, estima-se que de 20% a 30% da população mundial sofra de depressão. Não cabe aqui discutir os critérios diagnósticos ou questionar se este número corresponde ou não à realidade. Independente  das estatísticas, certamente isso NÃO É FRESCURA, DEPRESSÃO É DOENÇA! Entre os sintomas estão: perda do interesse por atividades diárias, apatia, desesperança, alterações do apetite e do sono, dificuldade de concentração, retraimento social, ideação suicida, entre tantos outros.

Apesar do avanço no tratamento, tanto no que se refere aos medicamentos quanto à psicoterapia, muitas pessoas com depressão chegam ao extremo de tirar a própria vida. O suicídio está entre as primeiras 10 causas de morte no mundo. Os dados são preocupantes: estima-se que um milhão de pessoas cometa suicídio por ano no mundo. Entre as tentativas frustradas, o número varia de 10 a 20 milhões por ano.

Diante desses dados, acredito que seja no mínimo insensato dizer que depressão é frescura. O fato de muitas pessoas pensarem assim acaba por agravar em alguns casos o quadro. Muitas vezes os próprios familiares e amigos tem dificuldade de entender o que a pessoa está passando, muito pela falta de conhecimento sobre o tema. Muitas vezes na tentativa de ajudar, dizem coisas como “você tem que ser forte, tem que lutar” e isso acaba por piorar a situação, pois a pessoa simplesmente não tem mais forças pra lutar e acaba se sentindo culpada.

Por outro lado, a própria pessoa tem dificuldade de perceber a intenção de ajuda por parte das outras pessoas. Um dos motivos pra que isso aconteça é que a pessoa com depressão passa a ter uma visão distorcida dos acontecimentos, passando a ver somente o lado negativo dos mesmos (essa talvez seja a característica mais marcante da doença).

Como eu disse lá no início a depressão ainda é tratada muitas vezes como um tema tabu na nossa sociedade. Por isso a importância de se falar abertamente sobre o tema, não só no meio acadêmico, mas entre a população em geral a fim de que se possa desmistificar a idéia de que “depressão é frescura”. Espero ter contribuído um pouco neste sentido.

Por Tamara Souza