quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Depressão é frescura?


Outro dia estava conversando com uma pessoa e ela me disse que acha que depressão é frescura. Pensando sobre o tema para escrever para o blog e depois de muito refletir sobre isso, achei que seria interessante falar sobre  este assunto, que muitas vezes é tratado como tabu na nossa sociedade. Confesso que como estudante de Psicologia  fico triste em saber que ainda tem pessoas que pensam assim.

Apesar de as estatísticas variarem dependendo do estudo, estima-se que de 20% a 30% da população mundial sofra de depressão. Não cabe aqui discutir os critérios diagnósticos ou questionar se este número corresponde ou não à realidade. Independente  das estatísticas, certamente isso NÃO É FRESCURA, DEPRESSÃO É DOENÇA! Entre os sintomas estão: perda do interesse por atividades diárias, apatia, desesperança, alterações do apetite e do sono, dificuldade de concentração, retraimento social, ideação suicida, entre tantos outros.

Apesar do avanço no tratamento, tanto no que se refere aos medicamentos quanto à psicoterapia, muitas pessoas com depressão chegam ao extremo de tirar a própria vida. O suicídio está entre as primeiras 10 causas de morte no mundo. Os dados são preocupantes: estima-se que um milhão de pessoas cometa suicídio por ano no mundo. Entre as tentativas frustradas, o número varia de 10 a 20 milhões por ano.

Diante desses dados, acredito que seja no mínimo insensato dizer que depressão é frescura. O fato de muitas pessoas pensarem assim acaba por agravar em alguns casos o quadro. Muitas vezes os próprios familiares e amigos tem dificuldade de entender o que a pessoa está passando, muito pela falta de conhecimento sobre o tema. Muitas vezes na tentativa de ajudar, dizem coisas como “você tem que ser forte, tem que lutar” e isso acaba por piorar a situação, pois a pessoa simplesmente não tem mais forças pra lutar e acaba se sentindo culpada.

Por outro lado, a própria pessoa tem dificuldade de perceber a intenção de ajuda por parte das outras pessoas. Um dos motivos pra que isso aconteça é que a pessoa com depressão passa a ter uma visão distorcida dos acontecimentos, passando a ver somente o lado negativo dos mesmos (essa talvez seja a característica mais marcante da doença).

Como eu disse lá no início a depressão ainda é tratada muitas vezes como um tema tabu na nossa sociedade. Por isso a importância de se falar abertamente sobre o tema, não só no meio acadêmico, mas entre a população em geral a fim de que se possa desmistificar a idéia de que “depressão é frescura”. Espero ter contribuído um pouco neste sentido.

Por Tamara Souza

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Cotas, por quê?


Assunto muito debatido há alguns anos é o sistema de cotas raciais como forma de inclusão social. Grande parte das vezes, entretanto, o debate gira em torno de argumentos pouco fundamentados além pouco se entender sobre as razões que levaram e mantém a exclusão e que fazem necessário algum tipo de intervenção, concordemos ou não com as cotas.

O sistema de cotas é um “reparo” aos anos de escravidão a que os negros foram submetidos no Brasil, sendo a eles, neste período, negado alguns dos direitos mais fundamentais da condição humana.

Como se sabe, os negros eram capturados (geralmente separados de suas famílias) em África e transportados (em situações precárias) até o Brasil para que (os que sobrevivessem à viagem) aqui exercessem o trabalho escravo. A chegada dos primeiros negros para o trabalho escravo se deu ainda no século XVI. A abolição só se deu quase 340 anos depois e neste período exercia trabalhos forçados, era torturado, não tinha direito a liberdade, a salário ou a educação.

A abolição, da forma como se deu, não foi inclusiva. Esta visava muito mais atender a interesses financeiros do que uma consciência da desumanidade do regime escravista. Desta forma a lei Áurea libertou, mas não incluiu, transformando negros ex-escravos e negros marginalizados. Continuava o negro sem acesso a educação, terras ou emprego. O samba Mangueira, de 1988, retrata bem o quadro: “... Pergunte ao criador quem pintou essa aquarela; Livre do açoite na senzala; Prezo na miséria da favela...”.

O quadro pintado entre os séculos XVI e XIX (sim, a história do Brasil tem mais tempo na escravidão do que após a mesma) pode ser visto ainda hoje. Pesquisas revelam que 64% dos pobres são negros, sendo o percentual de negros na população Brasileira de 45,4. Além disso, pesquisa de 2003 mostra que 43% da população negra encontra-se abaixo da linha da pobreza.

Através do acesso a educação o sistema de cotas visa a redução desta desigualdade que, no Brasil, se confunde social e racialmente. Esta desigualdade, como tentei demonstrar, tem origens históricas e, concordemos ou não com o sistema de cotas, deve, de alguma forma, ser combatida.

Recomendo leitura: http://www.adital.com.br/site/noticia2.asp?lang=PT&cod=19978 .

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Mulheres Pela Paz

2011, foi declarado pela ONU como o Ano Internacional da Química e das Florestas. Mal sabiam eles que seria o ano das greves, das redes sociais e das “revoluções” no oriente... 

A declaração da ONU me lembrou da física nuclear polonesa Marie Curie, que foi a primeira mulher a receber um Nobel, em 1903.  E também a única mulher até hoje a receber um segundo prêmio Nobel - o de Química, em 1911.

Apesar disso, a presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf e as ativistas Leymah Gbowee e Tawakul Karman ganharam o prêmio Nobel da Paz 2011, pela "luta não violenta pela segurança e os direitos das mulheres para participar plenamente das tarefas de pacificação".

O prêmio Nobel da Paz segundo  Alfred Nobel, deveria distinguir "a pessoa que tivesse feito a maior ou melhor ação pela fraternidade entre as nações, pela abolição e redução dos esforços de guerra e pela manutenção e promoção de tratados de paz".

Ao contrário dos outros prémios Nobel, o Nobel da Paz pode ser atribuído a pessoas ou organizações que estejam envolvidas num processo de resolução de problemas, ao invés de apenas destacar aqueles que já atingiram os seus objetivos em alguma área específica (como os outros premios), o que não desmerece outros premios, mas faz deste um prêmio com características próprias.

Desde 1901, de um total de 851 premiações, somente 44 foram destinadas a mulheres, sendo que destes, somente 15 mulheres foram contempladas com prêmios Nobel da Paz, ao que podemos incluir as 3 novas ganhadoras, Ellen Johnson-Sirleaf, Leymah Gbowee e Tawakul Karman. Todas envolvidas em questões relativas aos direitos humanos, direitos das mulheres e pela paz, das quais provavelmente você só ouviu falar da Madre Teresa de Calcutá.

Os membros do júri acrescentaram: não se pode alcançar "a democracia e uma paz duradoura no mundo até que as mulheres obtenham as mesmas oportunidades que os homens para participarem do desenvolvimento social em todos os níveis".

Leymah Gbowee disse que as mulheres não devem esperar salvadores. "Não esperem por (Nelson) Mandela, não esperem por (Mahatma) Gandhi, não esperem por (Martin Luther) King. Vocês têm que ser seu próprio Mandela, seu próprio Gandhi, seu próprio King".

Umas das ganhadoras, conhecida como "dama de ferro", Ellen Johnson-Sirleaf (presidente da Libéria), foi a primeira mulher eleita chefe de Estado de um país africano, nós também temos uma presidente mulher, mas o que isso significa para o nosso país e para o mundo? 

Ana Carolina Paes